Aug 24 2008
Algodão colorido no oeste da Bahia

A Bahia é o segundo maior produtor brasileiro do algodão tradicional, sendo que nessa produção se destaca a região oeste, com sua cultura de alta tecnologia, feita no cerrado e direcionada ao agronegócio.
Entretanto, há tempos atrás, o algodão já foi cultivado em todo o oeste baiano pelo pequeno agricultor de economia familiar, e agora a EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola) inicia um trabalho nesse sentido, mas visando à produção do algodão colorido, que poupa o planeta dos efluentes usados no tingimento e é 30% mais valorizado. Muito procurado por países desenvolvidos, como o Japão, por ser ecológico e antialérgico, já que não usa tingimento, o ideal é que o algodão colorido seja produzido de forma orgânica, isto é, sem o uso de fertilizantes químicos ou agrotóxicos, o que é impossível na cultura em larga escala.
Sendo nativo do nordeste, o algodão colorido está adaptado às suas condições climáticas e de solo, e, cultivado familiarmente, a defesa contra a praga do bicudo (inseto que ataca o algodão) pode ser feita manualmente. No outros requisitos do manejo seguirá os protocolos específicos para o algodão como o de erradicar as plantações logo após a colheita, enterrando-as, para interromper o ciclo do desenvolvimento do bicudo.
O ensaio de cultivo do algodão colorido no oeste baiano está sendo feito pela EBDA, sob a gerência de Carlos Augusto Araújo, que se interessou pelo tema, em vista de haver no quadro do órgão, em Barreiras, o engenheiro agrônomo João Batista dos Santos, paraibano, entusiasta e conhecedor das técnicas de manejo do algodão colorido. Em 2007 este elaborou, através da EBDA, um projeto dirigido ao FUDEAGRO (Fundo para o desenvolvimento do agronegócio do algodão no Oeste Baiano), que foi aprovado: “Incentivo à introdução do algodão colorido na agricultura familiar no Oeste Baiano”.
Com os recursos do FUNDEAGRO e as sementes obtidas através da EMBRAPA Algodão, da Paraíba, iniciaram o experimento em três municípios: Angical, Baianópolis e Wanderley, utilizando dois tipos: BRS Safira, de cor marron escuro avermelhado e BRS verde. Em fase final, o ensaio de Angical produziu uma média de 1.250 Kg por hectare, podendo ainda, segundo o Dr. João Batista, chegar a uma produção bem maior com desenvolvimento sustentável. Diante do êxito do ensaio, o gerente Carlos Augusto, da EBDA, pretende aumentar o plantio para mais cinco municípios do oeste baiano, área que tem tradição em algodão.
A pluma colorida de que breve será feita a colheita vai ser doada para entidades de artesanato, e as sementes continuarão a vir da Embrapa Algodão, da Paraíba.
Obter a geração de emprego e renda para o agricultor familiar e, ao mesmo tempo, investir na sustentabilidade do planeta são metas necessárias ao grave momento que a humanidade atravessa hoje, sendo que o algodão colorido, especialmente o de cultura orgânica, atende aos dois ideais.
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