Feb 18 2008

Edgar Pitta e Barreiras - Uma História de Amor e Dedicação

Publicado por Ignez Pitta às 5:48 pm em Personagens Barreirenses

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Edgar Pitta nasceu em Casa Nova BA, em 01 de março de 1909, filho de Delfino de Deus Pitta e Júlia dos Santos Pitta, sendo o antepenúltimo de nove irmãos e começou a trabalhar ainda menino na loja de seu pai, demonstrando grande responsabilidade.

Na sua terra natal só existia o curso primário e ele sonhava continuar seus estudos, tendo sua atenção voltada para Ilhéus, que vivia a prosperidade do cacau. Ali tinha certeza de arranjar um emprego, que lhe possibilitaria o prosseguimento de sua educação.

Estava, assim, se preparando, aos 17 anos, para essa mudança, quando seu pai foi contactado pelo Sr. Agripino Braga, também filho de Casa Nova, que era proprietário de uma grande empresa comercial em Barreiras e havia se transferido, com a família, para Salvador. Precisava de um jovem de confiança e que já tivesse experiência de trabalho no comércio, que viesse para Barreiras trabalhar na sua firma. Edgar foi então solicitado por seu pai a assumir o encargo, o que lhe causou grande sofrimento.

Comprometeu-se a vir para Barreiras e a permanecer por um ano, ao fim do qual retomaria seu projeto de estudar em llhéus. E assim, em 1927 chegou a Barreiras em um navio a vapor e imediatamente se apaixonou por esta terra. Foi amor à primeira vista, de que resultou uma fecunda convivência de 70 anos.

Vindo de uma região bastante seca, foi cativado pelos rios cristalinos, as chuvas regulares e a natureza exuberante de Barreiras, que lhe descortinavam imensas possibilidades. Da sua terra natal trazia a honestidade, o amor pelo trabalho, a família, a religião. Logo que recebeu seu primeiro ordenado, passou a enviar regularmente para a casa de seu pai, em Casa Nova, todo tipo de gêneros alimentícios, que aqui eram abundantes e baratos, auxiliando na manutenção de uma familia numerosa.

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(Vista da Rua Barão de Cotegipe, no início do século 20. Em destaque, à direita o sobrado onde viveu Edgar Pitta, e à esquerda, a Casa Vermelha)

Ainda em 1927 foi convocado pelo Tiro de Guerra aqui sediado, para prestar o serviço militar, que considerou uma esperiência importante, um mundo novo de que teve o privilégio de participar.

Findo o ano de seu compromisso com o pai para permanecer em Barreiras, Edgar Pitta decidiu ficar por mais um ano… mais outro… até que se rendeu à evidência de que lhe era impossível deixar Barreiras. O sonho de estudar foi sendo satisfeito pela leitura, tomando-se um leitor ávido e eclético, ao mesmo tempo em que via despertar em si outro sonho: o de colaborar no desenvolvimento das potencialidades de Barreiras e de seus Jovens.

Chegando em Barreiras, Edgar encontrou, já trabalhando na Casa Braga, seu primo Sabino Dourado, que foi seu melhor amigo. Tendo ingressado na política local, juntos fizeram - e realizaram - muitos planos para Barreiras. Sabino foi Prefeito desta terra por três vezes e Edgar era seu mais próximo colaborador. Um dos trabalhos em que se empenharam foi na construção de pontes na zona rural, que abrangia os distritos, atuais municípios de Catolândia, São Desidério e Baianópolis.

Com tantos rios, era vital a implantação de pontes, para o escoamento dos produtos agrícolas e era Edgar Pitta quem administrava os trablhos, desde a procura de matas de madeira de lei, até a hora da inauguração.

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(Vista da fachada do sobrado onde viveu Edgar Pitta, à Rua Barão de Cotegipe, 40, onde atualmente funciona o Museu de Barreiras)

A Casa Braga mantinha grande volume de negócios com o norte de Goiás, atual Tocantins, que eram da alçada de Edgar. Anualmente viajava a cavalo para aquele estado, de onde trazia grandes boiadas, e onde cultivou a amizade de muitas pessoas. Estas, quando vinham a Barreiras, se hospedavam em sua casa, bem como um sem numero de amigos da zona rural de Barreiras e de outros municípios.

Na década de 50, quando D. Marcela Cardoso empreendeu a reforma da Igreja de São João, Edgar tomou a seu cargo arrecadar a quantia necessária para a aquisição de um altar de mármore. Nos anos 60, atendeu ao apelo do Bispo de Barra, D. Tiago Cloio, titular da imensa diocese a que Barreiras pertencia, para que fosse aqui organizado um trabalho de obtenção do patrimônio necessário à recepção de vários Padres, com vistas a transformar Barreiras em diocese, o que aconteceu.

Com uma ampla visão da coletividade foi o mais generoso doador de terrenos para a construção de obras públicas, tendo doado para a implantação da estação abaixadora da COELBA, na década de 70, para obras diversas da Prefeitura e por último para a construção do Fórum, no bairro Aratu, onde foi sua fazenda de mesmo nome, além de doações à Igreja e a diversas instituições.

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Edgar e Judith, que viveram casados por mais de 50 anos

Quando criança, em Casa Nova, seus pais e os de Judith Viana Nunes começaram a incentivar um compromisso entre os dois, que se concretizou em 1941, com o casamento e a vinda de Judith para Barreiras. Tiveram duas filhas, Ignez Pitta de Almeida, professora, historiadora e responsável por este site, e Inez Pita, psicóloga e responsável pela área de saúde pública da Secretaria de Saúde Estadual.

Além das duas filhas naturais, foram inúmeros os filhos de criação e as crianças e jovens a quem abriram as portas de seu lar, hospedando-os para que pudessem estudar. E não era só a hospedagem: no seu entusiasmo pela educação, à noite dedicava-se a conversar com seus jovens hóspedes, para abrir-lhes os horizontes e ampliar seus conhecimentos. Um ritual diário era ouvir junto com eles a programação radiofônica da Voz do Brasil, debatendo em seguida os assuntos nacionais. Livros, revistas, discos, rádio: era todo um mundo que se descortinava ante aqueles meninos saídos da zona rural ou de cidades menores que Barreiras!

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Edgar é o terceiro da foto, entre seus irmãos Heroíno, Hermes e Tibério

Muitos deles, que hoje moram em diversas capitais, recordam o impacto cultural que viveram então e os momentos mágicos de descoberta. Dentre esses verdadeiros filhos de criação destaca-se Maria de Lourdes Rodrigues de Souza, que foi por ele enviada a Juazeiro, na década de 50, para fazer um estágio de aprendizagem num salão de cabeleireiro e manicure, conforme sua escolha, e assim poder abrir o primeiro salão de beleza de Barreiras; o sobrinho Heroíno dos Santos Pitta, que veio de Casa Nova para estudar, quando o Prof. Seabra fundou o Colégio Padre Vieira, e Maria Helena Avelina de Souza e seu esposo Antônio Carlos que.

Sua maior perda foi o falecimento, em 1995, de sua querida esposa, Judith, que se destacava pela religiosidade. Em sua homenagem, efetuou nova doação à Igreja e a diversas pessoas.

Na maior parte de sua vida em Barreiras gozou da companhia de sua irmã Aidil dos Santos Pitta, que lhe era extremamente dedicada, e, mesmo a distância, do carinho dos irmãos, entre eles Tibério e Nair. Também da amizade de muitos amigos queridos, que é impossível aqui enumerar e que, com sua amizade e dedicação mostraram-lhe que o homem pode dar ao outro o mais divino dos dons, a amizade! Ao falecer, nos braços dos seus, pôde sentir com toda verdade as palavras bíblicas: “Na tarde da vida seremos julgados a respeito do amor.

Assim era Edgar Pitta, com as mãos, o coração e a sua casa abertos, acolhendo e ajudando tanta gente!

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(Detalhe do sobrado onde viveu Edgar Pitta)

Homenagens prestadas pelos Barreirenses a Edgar:

  • Inauguração do Serviço Ambulatorial Especializado, denominado Edgar Pitta

3 comentários to “Edgar Pitta e Barreiras - Uma História de Amor e Dedicação”

  1. marcelaon 21 May 2008 at 4:57 pm

    Gostaria de saber se possível os nomes de pelo menos três becos que existiam em barreiras, suas histórias e os nomes que têm hoje, a fim de um trabalho escolar. Se puder me ajudar!!
    Grata,
    Marcela

  2. Carloson 26 May 2008 at 11:22 pm

    Comendadora Ignes Pitta,

    Parabéns pelo site que aumenta cada vez mais seu repertório de poemas, pois sua vida é um dos melhores poema. Sou seu fã incondicional e sou testemunha de que cada história de Barreiras e de seus personagens são tranformados em contos cristalizado na eternidade.

    Fico muito feliz que você tenha mais este canal para nos comunicar seu saber, do qual disfrutamos com desejo de “quero-mais”e com saudades daquilo que nem conhecemos.

    Tive o prazer de conhecer o Senhor seu pai Edgar Pitta e conviver com as gerações seguintes que fizeram jus ao seu legado. Estou convencido de que foi um dos melhores presentes que a vida me deu e que eu usufruo com muita satisfação. Conviver contigo e com sua família tem me transformado em um ser muito melhor.

    Abraços,

    Carlos Alberto Silva

  3. Elielton Gomeson 28 Oct 2008 at 1:27 pm

    È muito interessante a vida dessa PESSOA que ate então não conhecia pois na Cidade Natal ninguem nunca ouviu falar dele.
    Moro em Casa Nova mais vejo que é um lugar sem futuro, acho que vou fazer o mesmo que Edgar Pitta fez, procupar melhoras, tenho acerteza que não que morrer neste lugar.

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